Moro afirmou ao Senado que PF investiga ameaças a Glenn, mas jornalista nunca foi procurado, alerta Humberto


Contemplado com os dois maiores prêmios do jornalismo investigativo mundial e do Brasil por publicar material de interesse público desconhecido da população, o repórter Glenn Greenwald afirmou no Senado, nesta quinta-feira (11), em resposta ao líder do PT na Casa, Humberto Costa (PE), que jamais foi procurado pela Polícia Federal (PF) sobre as ameaças que ele e sua família receberam desde que estourou o escândalo da Vaza Jato.

No último dia 19, Humberto havia perguntado ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, durante depoimento do ex-juiz aos senadores, se ele havia determinado proteção ao jornalista depois que o editor do The Intercept encaminhou o conteúdo das ameaças sofridas à pasta comandada pelo ex-juiz.

Na ocasião, o ministro confirmou a Humberto que o material foi, sim, recebido pelo órgão e garantiu ter sido "imediatamente encaminhado à Polícia Federal, para apuração e tomada de providências”. 

“Hoje, porém, o senhor Glenn nos contou aqui que ninguém da PF o procurou para perguntar sobre as ameaças que vem recebendo e que ele realmente não sabe se o caso está sendo apurado. Moro mentiu? Moro está ou não está preocupado com a segurança do jornalista? A Polícia Federal não o procurou até hoje por quê? Ele está sendo ameaçado de morte, junto com seus familiares, e tem de receber a devida proteção”, declarou o parlamentar.

O líder do PT no Senado acredita que a proteção está sendo sonegada ao jornalista, o que é um grave atentado à liberdade de imprensa, e pior do que isso: o governo está perseguindo Glenn por meio do Coaf. Essa informação não foi negada por nenhum membro da gestão Bolsonaro, o que inclui Moro e Paulo Guedes, ministro da Economia, pasta à qual o Conselho de Controle de Atividades Financeiras é vinculado. 

O senador também perguntou a Glenn, que já foi advogado nos Estados Unidos, o que aconteceria com um juiz de primeira instância naquele país se ele atuasse em parceria com a parte acusatória e se divulgasse, ilegalmente, um áudio de um diálogo do presidente da República com um ex-presidente. 

O jornalista comentou que a atitude é impensável, pois se trata de uma violação tão grave para os americanos que os envolvidos perderiam os cargos, e acrescentou que o que agrava ainda mais o caso de Moro é o fato de ele sempre ter “fingido ser neutro”, quando, na verdade, trabalhava em parceria com os procuradores.

Glenn reforçou que todo o material divulgado até agora pelo Intercept e também pelos veículos parceiros foram periciados e são absolutamente autênticos. Assim como Humberto, ele avalia que Moro e Dallagnol jamais irão negar a autoria das mensagens porque sabem que o conteúdo é integralmente verdadeiro. Os dois não entregaram, até hoje, os seu celulares para perícia da PF.

“O ex-juiz e os procuradores jamais foram a público dizer que é tudo mentira e falso. E jamais o farão. Sabem por quê? Porque sabem que é verdade. Eles agiram nas sombras e não irão desafiar a autenticidade das conversas. Glenn lembrou bem que outros procuradores podem desmenti-los a qualquer momento, como já ocorreu uma vez, porque eles também fizeram parte de alguns grupos no Telegram”, observou.

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